Após a vitória apertada do Palmeiras por 1 a 0 contra a Chapecoense neste domingo, o técnico Abel Ferreira não poupou palavras em sua coletiva de imprensa. Com um tom incisivo, o português disparou críticas ao calendário do futebol brasileiro, à arbitragem e à condução geral da modalidade no país, afirmando categoricamente que a partida, dadas as circunstâncias, “não poderia ter existido”.
O treinador do Verdão lamentou os 11 desfalques que a equipe enfrentou, resultado de convocações para seleções, lesões e suspensões. Abel cobrou veementemente a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e os próprios clubes pela manutenção da rodada durante um período em que atletas internacionais estavam ausentes.
Calendário e CBF na mira de Abel Ferreira
Logo no início de sua fala, Abel elevou o tom contra a organização do calendário nacional. Para ele, caso houvesse um real interesse em proteger os clubes e o futebol brasileiro, o jogo não deveria ter sido disputado. “Este jogo não poderia ter existido. Foi o único país no mundo que autorizou que jogassem sem nós oito jogadores internacionais. Em condições normais, este jogo nunca poderia ter existido”, declarou o técnico.
Ele citou o adiamento de um confronto entre Fluminense e Flamengo, questionando por que a mesma medida não foi aplicada a outras equipes com jogadores convocados. “Eu não consegui encontrar uma única razão porque a CBF, o Fluminense e o Flamengo adiaram um jogo de um dia para o outro. Por que não se adiou esta rodada pelo menos das equipas que têm jogadores internacionais?”, indagou. Na visão do treinador, o Palmeiras entrou em campo em uma situação limite, com problemas que antecederam o apito inicial devido à combinação de fatores.
Críticas à Arbitragem e Lances Polêmicos
A arbitragem também foi alvo das queixas de Abel Ferreira. O técnico aceitaria um cartão amarelo ou vermelho para Allan, mas apontou uma suposta mudança na decisão inicial do árbitro. Segundo Abel, o juiz teria corrido para aplicar o amarelo, mas alterou para vermelho após uma possível orientação via ponto eletrônico. “Ele vem a correr para dar amarelo. Tenho certeza que alguém lhe apitou no ouvido: é vermelho, é vermelho. E ele pega e dá vermelho”, afirmou.
Abel também questionou os seis minutos de acréscimos concedidos no segundo tempo, considerando-os injustificados. “Seis minutos de tempo extra? Por quê?”, perguntou. Sobre o gol anulado da Chapecoense, o português foi direto, defendendo que houve falta em Murilo antes da finalização. Por outro lado, o técnico reconheceu a coragem do árbitro ao marcar um pênalti para a Chapecoense já nos acréscimos, que foi desperdiçado por Bolasie na trave, garantindo a vitória palmeirense.
Resiliência do Elenco e aposta na base
Apesar de todas as adversidades, Abel valorizou a resposta do elenco diante dos desfalques e da expulsão. O treinador destacou que o Palmeiras teve de “entrar na fogueira” com diversos jovens da base, como Riquelme, Luighi e Larson, e jogadores menos acostumados à pressão. Ele pediu paciência com os mais novos, ressaltando que “os moleques da base têm que entender que vão ser amassados. Nós precisamos ter paciência. Se joga, é porque acreditamos neles, é porque têm valor”.
Abel também defendeu Luighi das críticas da torcida, lembrando que o amadurecimento passa por esse processo. Contudo, fez uma ressalva importante: “Eu não estou aqui para formar jogadores. A mim pedem para ganhar títulos. Me exigem títulos”, enfatizou, deixando clara a cobrança por resultados no Palmeiras.
Paulinho em Destaque e Futuro do Elenco
O autor do gol da vitória, Paulinho, foi um dos destaques da entrevista. Abel elogiou a recuperação física do atacante, que vem sendo utilizado com cautela. O treinador projetou um crescimento ainda maior do jogador após a pausa da Copa do Mundo, acreditando que ele poderá ser mais importante na segunda parte da temporada. Quanto ao futuro do elenco, Abel deixou clara sua prioridade: manter o grupo. “Eu imagino o Palmeiras com todos os meus jogadores recuperados e que ninguém saia. É só isso que eu imagino”, disse. Ele admitiu preferir contratar jogadores do futebol brasileiro, por já conhecerem a liga, mas reconheceu a dificuldade e o alto custo dessas negociações.
Para finalizar, Abel Ferreira fez questão de valorizar a entrega do elenco, afirmando que o Palmeiras encerrou um ciclo muito difícil ainda competitivo em todas as frentes. “Chegar ao final de um calendário como este, vivo em todas as competições, não é para todas as equipas”, completou, ressaltando o objetivo de atravessar o período sem comprometer a temporada.




