Com a expectativa crescente para a convocação de Carlo Ancelotti à Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026, marcada para 18 de maio, o universo do futebol se prepara para mais uma lista que promete gerar debates. Ao longo da rica história da Canarinho em Mundiais, certas escolhas de técnicos anteriores transcenderam o campo e se tornaram lendas, seja pela surpresa, pela situação peculiar do atleta ou pelo impacto que tiveram.
Nomes inesperados, jogadores sem clube e até um volante convocado com a missão de ‘marcar forte’ já integraram o elenco brasileiro em Copas. A redação do iG reuniu algumas das convocações mais ‘bizarras’ e memoráveis que o futebol brasileiro já testemunhou, relembrando momentos que marcaram a memória dos torcedores.
Daniel Alves (2022): O mais velho e lesionado
Considerada por muitos a mais controversa das convocações recentes, a presença de Daniel Alves na Copa do Mundo de 2022, no Catar, gerou um burburinho enorme. Com 39 anos e 210 dias, o lateral se tornou o jogador mais velho a defender o Brasil em um Mundial. Na época, ele atuava pelo Pumas, do México, mas vinha de uma lesão e treinava com o time B do Barcelona para manter a forma.
O grande questionamento pairava sobre a justificativa de um atleta em tal condição ocupar uma vaga valiosa na lista, preterindo outros nomes saudáveis. Curiosamente, Daniel Alves não entrou em campo em nenhuma partida durante a campanha brasileira, intensificando as discussões sobre sua escolha.
Zé Carlos (1998): Do desemprego à semifinal de Copa
A trajetória de Zé Carlos rumo à Copa de 1998, na França, é um verdadeiro conto de fadas improvável. Em 1997, o lateral estava desempregado, até ser contratado pela modesta Matonense para a Série A2 do Campeonato Paulista. Seu bom desempenho chamou a atenção do São Paulo, onde conquistou o Paulistão. De repente, o jogador se viu convocado como reserva de Cafu para o Mundial.
O destino reservou um momento ainda mais dramático: com a suspensão de Cafu para a semifinal contra a Holanda, Zé Carlos, que até então havia jogado apenas um amistoso pela Seleção, foi lançado ao campo e atuou por 120 minutos em uma das partidas mais decisivas da Copa.
Anderson Polga (2002): O ‘xodó’ do Felipão
Anderson Polga, inicialmente volante no Grêmio, teve sua carreira redirecionada para a zaga, onde se consolidou como titular. Suas atuações pelo tricolor gaúcho o transformaram em um ‘xodó’ do técnico Felipão, garantindo-lhe um lugar na lista para a Copa de 2002. No Mundial, Polga teve a chance de mostrar seu valor em duas partidas da fase de grupos, nas goleadas por 4 a 0 contra a China e 5 a 2 sobre a Costa Rica.
Ele voltou para casa com a medalha de pentacampeão. Após o título, seguiu para o Sporting de Portugal, onde construiu uma carreira sólida por quase uma década, mas nunca mais retornou à Seleção.
Dante e Bernard (2014): Os protagonistas do 7 a 1
A Copa do Mundo de 2014, em solo brasileiro, reservou momentos de grande expectativa e, infelizmente, uma das maiores decepções. Dois nomes se destacam nesse contexto: Dante e Bernard. Dante, zagueiro do Bayern de Munique e eleito três vezes o melhor da Bundesliga, era uma figura conhecida na Europa, mas um ilustre desconhecido para muitos torcedores brasileiros. Sua convocação gerou surpresa, e ele mesmo brincava com seu anonimato no Brasil.
Bernard, por sua vez, apelidado de ‘alegria nas pernas’ por Felipão após ser peça chave no título da Libertadores do Atlético-MG em 2013, havia acabado de se transferir para o Shakhtar Donetsk, na Ucrânia. Ambos foram tragicamente alçados ao protagonismo na semifinal contra a Alemanha, após a suspensão de Thiago Silva e a lesão de Neymar. A narrativa de Dante ‘conhecendo os alemães’ e Bernard substituindo o craque da equipe culminou na dolorosa derrota por 7 a 1, um resultado que marcou o fim da trajetória de ambos na Seleção, que nunca mais os convocou.
Chicão (1978): O ‘El Matador de Rosário’
Na Copa de 1978, na Argentina, o técnico Cláudio Coutinho surpreendeu ao convocar Chicão, um volante conhecido por sua postura ‘valentona’ em campo. Sua reputação incluía episódios polêmicos, como ter pisado na perna fraturada de um adversário na final do Brasileiro de 1977. Coutinho justificou a escolha afirmando que precisava de um atleta com essa fibra para jogos de alta tensão, especialmente contra os anfitriões.
Dito e feito: Chicão entrou em campo contra a Argentina em Rosário, protagonizando um jogo extremamente físico e com muitas faltas, como se esperava. Após a partida, ao ser questionado sobre a pressão da torcida, ele respondeu com a frase que se tornou icônica: ‘Pressão? Pressão é o que a gente faz neles!’ Chicão voltou para casa sem o título, mas com o apelido de ‘El Matador de Rosário’, eternizando sua passagem.
A história da Seleção Brasileira é repleta de escolhas que moldaram seu caminho em Copas do Mundo. Com a data da convocação de Ancelotti se aproximando, a pergunta que fica é se o treinador italiano nos reserva alguma surpresa digna de entrar para essa lista de ‘bizarras’. A preparação da equipe começa em 25 de maio, na Granja Comary, com dois amistosos programados contra Panamá (31 de maio, no Maracanã) e Egito (6 de junho, em Cleveland, EUA) antes da estreia no Mundial. Resta aguardar para ver quais nomes Ancelotti escolherá para tentar trazer o hexacampeonato.





