O Drama e a Ausência Polêmica de Romário em 2002
Vinte e quatro anos separam dois momentos de intensa expectativa na Seleção Brasileira, envolvendo dois de seus maiores astros: Romário em 2002 e Neymar nos dias atuais. Em ambos os cenários, a presença de um craque na lista final para a Copa do Mundo se tornou um verdadeiro dilema nacional, gerando um clamor popular que transcende o campo de jogo. No entanto, o cenário de 2024 apresenta uma particularidade que amplifica a pressão: as redes sociais. A pergunta que paira é se o desejo por Neymar hoje supera, em intensidade e alcance, o apelo por Romário, que culminou em uma das decisões mais polêmicas de Luiz Felipe Scolari.
Em 7 de maio de 2002, o Brasil parou para a divulgação da lista final de Felipão para a Copa do Mundo. A decisão de deixar Romário, o ‘Baixinho’ e herói do tetra, de fora, gerou uma onda de protestos e incredulidade. Após uma ausência frustrante no Mundial de 1998 por lesão, Romário havia reencontrado sua melhor fase no Vasco, marcando impressionantes 73 gols em 2000 e voltando a ser artilheiro no Flamengo. Ele havia retornado à Seleção em setembro de 2000 sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, balançando as redes em diversas ocasiões nas Eliminatórias.
Apesar de seu faro de gol inquestionável, a relação de Romário com Felipão começou turbulenta. Para a Copa América de 2001, o jogador pediu dispensa alegando uma cirurgia no olho esquerdo. Contudo, enquanto a Seleção estava na Colômbia, Romário foi visto em Cancún, no México, disputando amistosos com o Vasco. Esse episódio marcou o técnico, que optou por excluí-lo dos compromissos finais das Eliminatórias, convocando Luizão em seu lugar.
Apesar da forte campanha popular e da fase goleadora, Felipão manteve sua decisão. A polêmica só foi apaziguada em 30 de junho de 2002, quando Ronaldo, também questionado antes do torneio, marcou os dois gols da vitória sobre a Alemanha na final, selando o pentacampeonato e validando a escolha do treinador.
Neymar: Lesões, Transferências e a Incógnita para 2026
Protagonista das últimas três Copas do Mundo, Neymar iniciou o ciclo para 2026 como o principal nome da Seleção, sendo decisivo nas primeiras rodadas das Eliminatórias. Contudo, uma ruptura no ligamento cruzado anterior (LCA) e no menisco do joelho esquerdo, sofrida contra o Uruguai, marcou a lesão mais grave de sua carreira. O afastamento dos gramados por mais de uma temporada não só comprometeu sua forma física, mas também sua relação com o Al-Hilal, culminando em sua transferência para o Santos.
No Peixe, o atacante buscou a recuperação da forma ideal. Apesar de oscilar fisicamente, foi chamado por Dorival Júnior em março de 2025 para jogos contra Colômbia e Argentina. No entanto, um edema na coxa esquerda adiou seu retorno à Seleção. Com a demissão de Dorival, que sempre expressou desejo de contar com Neymar, e a chegada de Carlo Ancelotti, a situação ganhou novos contornos.
Ancelotti, conhecido por sua gestão de craques, não descartou Neymar, mas foi taxativo: ‘não convoco nenhum jogador que não esteja 100% fisicamente’. Em cinco convocações, o nome do ídolo santista não apareceu. Embora o jogador tenha finalmente conquistado uma sequência de jogos, seu desempenho, segundo a fonte, não tem demonstrado a capacidade de alterar resultados como outrora.
Redes Sociais: O Amplificador do Clamor Popular por Neymar
Se Romário vivia uma fase goleadora superior à de Neymar atualmente e, provavelmente, contava com uma aceitação percentual maior em 2002, o clamor pelo astro santista de volta ao time canarinho hoje é inegavelmente mais audível e difundido. A grande diferença reside na principal inovação do século: as redes sociais.
Em 2002, os protestos se manifestavam em jornais, programas de TV e rádios, além de gritos em estádios e faixas. Hoje, um simples clique ou post pode gerar um engajamento massivo, transformando o desejo de milhões em uma onda digital avassaladora. O próprio Romário reconheceu esse poder. Em sua conta oficial no X (antigo Twitter), após a convocação de Dunga para a Copa de 2010, ele comentou que a rede social ‘poderia ter mudado a mente de Felipão em 2002’.
Apesar de Neymar não exibir a mesma dominância em campo que Romário demonstrava em sua época, a facilidade de mobilização e expressão de opiniões nas plataformas digitais cria uma pressão pública sem precedentes. Cada gol, cada drible, cada rumor sobre sua condição física é debatido e amplificado em tempo real, mantendo o tema Neymar na Seleção em constante evidência e aumentando a expectativa sobre a decisão de Ancelotti.




