O Conselho Deliberativo do Flamengo se reúne nesta terça-feira (15) para uma votação decisiva sobre a proposta final de reforma estatutária do clube. O texto, elaborado por uma Comissão Permanente e apresentado pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, promete alterações significativas na estrutura administrativa do rubro-negro, gerando debates e divergências entre os conselheiros.
A discussão central gira em torno da reorganização das áreas de governança, supervisão e execução. Além disso, a proposta introduz novas funções executivas, prevê a criação de um Conselho Gestor e revisa regras de planejamento financeiro, bem como a participação de associados na estrutura profissional do clube. Defensores da reforma argumentam que o estatuto atual, de 1992, precisa ser atualizado para acompanhar o crescimento administrativo, financeiro e esportivo do Flamengo nas últimas décadas. Contudo, parte dos conselheiros manifesta preocupação de que algumas mudanças possam ampliar o poder da presidência, com destaque para a influência de Bap sobre a nova estrutura.
Novas Funções Executivas e Separação de Responsabilidades
Entre as principais mudanças propostas está uma clara divisão entre as responsabilidades administrativas e esportivas. O novo modelo prevê duas lideranças executivas de maior peso: um Diretor-Geral, encarregado da gestão corporativa do clube, e um Diretor de Futebol, responsável tanto pelo futebol profissional quanto pelas categorias de base. O objetivo é estabelecer uma separação mais nítida entre a administração institucional e a condução esportiva, distinguindo quem define as diretrizes de quem executa as operações diárias.
Criação do Conselho Gestor (COGE) e Pontos de Divergência
Outro ponto crucial é a criação do Conselho Gestor (COGE), um órgão destinado a supervisionar a atuação da diretoria e acompanhar a execução das principais decisões administrativas. A intenção é criar uma camada intermediária entre a governança institucional e a gestão executiva. No entanto, a composição do COGE é um dos maiores focos de debate. A proposta concede a Bap a prerrogativa de nomear e destituir seus integrantes, que, por sua vez, teriam de se reportar à presidência em processos de autorização e mudanças administrativas. Conselheiros contrários à reforma veem neste arranjo um risco de concentração excessiva de poder na presidência, comprometendo a transparência interna.
Planejamento Financeiro e Outras Atualizações
A reforma estatutária também abrange mudanças na elaboração do orçamento do Flamengo. Atualmente focado no planejamento anual, o clube passaria a elaborar o orçamento em conjunto com um planejamento de três anos, além de estabelecer uma projeção para cinco anos e criar indicadores de desempenho institucional e financeiro. A meta é expandir o horizonte de planejamento e mitigar decisões baseadas apenas no exercício seguinte. Além disso, o novo estatuto prevê alterações nas regras de nepotismo e estabelece critérios para a entrada de associados que já ocuparam cargos eletivos na estrutura profissional remunerada, buscando delimitar as fronteiras entre a atuação política e as funções profissionais.
Reforma Não Transforma Flamengo em SAF
É importante ressaltar que, apesar das profundas mudanças propostas, a reforma não altera a natureza jurídica do Flamengo. Mesmo com a aprovação do novo estatuto, o clube continuará operando como uma associação civil, mantendo seu modelo associativo. A proposta não prevê a transformação do Flamengo em Sociedade Anônima do Futebol (SAF), modelo adotado por diversos clubes brasileiros nos últimos anos. A votação desta terça-feira, portanto, definirá importantes reestruturações administrativas, mas sem modificar a essência associativa do clube.



