A já tensa relação entre Irã e Estados Unidos ganhou um novo e polêmico capítulo às vésperas da Copa do Mundo. Em comunicado oficial, a Federação Iraniana de Futebol denunciou que torcedores do país tiveram seus ingressos para as partidas da seleção revogados, mesmo após a compra seguir todos os trâmites legais e com as viagens já reservadas. A entidade acusa as autoridades norte-americanas de prejudicar sua participação no torneio, estendendo as restrições também à própria delegação.
Ingressos Revogados e Cotas Canceladas
De acordo com o regulamento da FIFA, cada federação participante tem direito a uma cota de 8% dos ingressos de seus jogos para comercialização entre seus próprios torcedores. Segundo a denúncia iraniana, essa cota teria sido abruptamente cancelada pelas autoridades dos Estados Unidos a poucos dias do início do mundial, impactando centenas de fãs que já haviam planejado sua viagem e comprado suas entradas.
Restrições Se Estendem à Seleção
As reclamações da Federação Iraniana não se limitam apenas à questão dos ingressos. A entidade afirma que os Estados Unidos também não permitirão que a delegação iraniana permaneça no país durante a competição. O plano original previa que a seleção ficasse concentrada em Tucson, no Arizona. No entanto, devido às restrições impostas, o Irã foi forçado a transferir sua base para Tijuana, no México.
Pelas regras estabelecidas, a delegação iraniana só poderá entrar nos Estados Unidos no dia de cada partida e deverá deixar o país imediatamente após o término dos jogos. Além disso, embora os jogadores estejam com seus vistos regularizados, parte da comissão técnica sequer recebeu a “autorização temporária” necessária para ingressar em território norte-americano durante os confrontos.
No comunicado, a federação iraniana fez um apelo à FIFA para que siga “os princípios da neutralidade, justiça e respeito aos regulamentos estabelecidos”, alegando que fatores externos estão comprometendo a preparação e a participação justa da equipe no Mundial. Até o momento, a FIFA não se pronunciou oficialmente sobre o caso.
Outros Países Também Enfrentam Dificuldades
As queixas envolvendo restrições de entrada nos Estados Unidos não são exclusividade do Irã. O Iraque, por exemplo, informou que seu centroavante foi detido por horas para interrogatório e teve o celular inspecionado. Além disso, o fotógrafo da seleção iraquiana não recebeu autorização para entrar no país e precisou retornar.
Outro caso notório foi o do árbitro somali Omar Abdulkair, eleito o melhor árbitro africano do ano passado e convocado pela FIFA para atuar na Copa do Mundo. Ele teve a entrada negada pela imigração e acabou deportado. Vídeos que circulam nas redes sociais também mostram fiscalizações “extras” envolvendo integrantes das delegações de Senegal e Uzbequistão, levantando preocupações sobre a recepção a outras equipes.
Participação Iraniana Já Esteve em Dúvida
A presença do Irã na Copa do Mundo esteve sob ameaça desde o agravamento das tensões entre os governos iraniano e norte-americano. Em meio aos conflitos regionais, dirigentes e autoridades do país chegaram a expressar publicamente a incerteza sobre a participação da seleção no torneio, mesmo após a classificação conquistada em campo.
No início do ano, o ministro dos Esportes iraniano chegou a afirmar que não via condições de segurança para cidadãos do país nos Estados Unidos, sugerindo que a equipe não iria ao Mundial. Naquele período, a FIFA estudou cenários alternativos e trabalhou nos bastidores para garantir a permanência do Irã na competição e evitar mais problemas às vésperas do torneio.
Apesar dos problemas extracampo e das polêmicas, a seleção iraniana segue firme na disputa da Copa do Mundo. A equipe fará sua estreia na próxima segunda-feira (15), enfrentando a Nova Zelândia, pelo Grupo G. A chave também conta com as seleções da Bélgica e do Egito.




