Em uma edição da Copa do Mundo recheada de treinadores estrelados e multicampeões, os dois comandantes que chegam à grande final passaram boa parte da carreira longe dos holofotes badalados do futebol. De um lado, um técnico formado nas categorias de base comanda a Espanha. Do outro, um ex-auxiliar que assumiu a Argentina quase por acaso e agora pode levar a Albiceleste a um histórico bicampeonato mundial.
A ascensão de Luis de la Fuente e Lionel Scaloni à beira do campo na decisão do torneio é um testemunho de que nem sempre o caminho mais óbvio é o que leva ao sucesso. Ambos construíram suas histórias nos bastidores, provando que a experiência e o alinhamento com o grupo podem superar currículos recheados de títulos em grandes clubes.
De la Fuente: O Mestre das Categorias de Base Espanholas
Pelo lado espanhol, Luis de la Fuente, aos seus 65 anos, trabalha como treinador desde 1997. No entanto, ele construiu praticamente toda a sua carreira longe do centro das atenções, dedicando-se incansavelmente às categorias de base do futebol espanhol. Após passagens pelas academias de Sevilla e Athletic Bilbao, De la Fuente chegou à seleção espanhola em 2013 para comandar a equipe sub-19. Por lá, também dirigiu a sub-21 e a sub-23, até assumir o time principal em 2022.
Curiosamente, era ele o treinador da Espanha nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, quando o Brasil venceu a decisão e conquistou a medalha de ouro. Após a medalha de prata, boa parte daquele elenco espanhol seguiu seu processo de formação sob o comando de De la Fuente e hoje integra o grupo que pode conquistar a Copa do Mundo diante da Argentina, mostrando a solidez de um trabalho de longo prazo.
Scaloni: Do Auxiliar Interino ao Bicampeonato Mundial
Pelo lado argentino, a história de Lionel Scaloni parece muito mais um alinhamento do destino do que um planejamento semelhante ao espanhol. Como jogador, Scaloni disputou a Copa do Mundo de 2006 e sempre teve uma ligação forte com a seleção. Após encerrar a carreira em 2015, iniciou a trajetória como auxiliar técnico do Sevilla já no ano seguinte. Em 2017, foi chamado para integrar a comissão técnica da seleção argentina na mesma função.
Em meio a uma forte crise da Associação do Futebol Argentino (AFA), que acabou respingando na busca por um novo treinador após a saída de Jorge Sampaoli, Scaloni assumiu o comando de forma interina. O trabalho acabou encaixando rapidamente, e os dirigentes decidiram efetivá-lo no cargo próximo da Copa do Mundo de 2022, que culminou com o histórico título argentino e, quatro anos depois, a possibilidade de um bicampeonato consecutivo.
O Contraste com os ‘Medalhões’ do Futebol
Olhando para o cenário geral da Copa, poucas seleções fugiram do óbvio na hora de escolher seus treinadores. O Brasil, por exemplo, investiu pesado em Carlo Ancelotti, um dos técnicos mais vitoriosos da história do futebol. Além do italiano, os Estados Unidos apostaram em Mauricio Pochettino, treinador com passagens por Tottenham, PSG e Chelsea. Já a Inglaterra entregou o comando a Thomas Tuchel, campeão da Liga dos Campeões pelo Chelsea e também vencedor de outros títulos por Bayern de Munique e PSG. Sem falar nos



