O legado de um vitorioso sob escrutínio na Amarelinha
Carlo Ancelotti, um dos treinadores mais vitoriosos da história do futebol, com cinco Ligas dos Campeões e títulos de ligas em cinco países diferentes, assumiu a Seleção Brasileira em maio de 2025. Contudo, sua passagem pelo comando técnico da Canarinho, culminando na Copa do Mundo de 2026, foi marcada por uma série de decisões questionáveis, que impediram a equipe de encontrar seu ‘DNA verde-amarelo’ e formatar um time vitorioso. Aos 67 anos, o experiente comandante enfrentou críticas por equívocos que, segundo analistas, foram cruciais para a performance aquém do esperado no mundial.
O Primeiro Erro: Convocação Questionável e Improvisações
A lista final de convocados para a Copa do Mundo gerou polêmica. Com as lesões de Militão e Wesley, Ancelotti optou por não incluir nenhum lateral-direito de ofício, improvisando zagueiros como Danilo e Ibañez na posição. Além disso, a presença de atletas em declínio físico e técnico, alguns com idade avançada, como Casemiro, Alex Sandro, o próprio Danilo e Neymar, foi duramente criticada. Alex Sandro, por exemplo, sequer atuou, tornando-se reserva do discreto Douglas Santos, enquanto outros tiveram um desempenho pífio no torneio.
O Segundo Erro: A Aposta em Neymar Lesionado
A decisão de convocar Neymar para a Copa do Mundo, mesmo com uma lesão significativa na panturrilha, foi amplamente vista como uma atitude midiática e equivocada. Apesar de ser o maior artilheiro da história da Seleção, com 80 gols, o camisa dez demorou a se recuperar e, quando teve oportunidades contra Escócia e Noruega, demonstrou uma absoluta falta de ritmo de jogo. A última temporada completa e de alto nível de Neymar na Europa havia sido em 2022/2023, e, aos 34 anos, sua participação no Mundial encerrou de forma melancólica sua passagem pela Seleção.
O Terceiro Erro: Esquema Tático Desequilibrado e a Busca por uma Base Sólida
Ancelotti chegou ao Mundial determinado a escalar o time com quatro atacantes, talvez por acreditar na falta de qualidade no meio-campo. Contudo, essa estratégia expôs a fragilidade defensiva da Seleção Brasileira, especialmente no primeiro tempo da estreia contra Marrocos. Embora o erro tenha sido corrigido nas partidas seguintes, com a saída do centroavante Igor Thiago, a entrada de Matheus Cunha e a mudança de posicionamento de Paquetá, encorpando o meio-campo, o treinador voltou a deixar a equipe vulnerável no segundo tempo contra a Noruega, com as entradas de Neymar e Endrick, culminando na eliminação com a derrota por dois a zero.
O Quarto Erro: A Confiança Excessiva em Casemiro
Casemiro foi o ‘homem de confiança’ de Ancelotti durante a Copa, mas seu desempenho esteve abaixo do esperado. Desde a estreia, onde foi facilmente superado por jogadores de Marrocos, o volante mostrou sinais de que deveria ter ido para o banco de reservas. Ele falhou no gol do Japão, que quase eliminou o Brasil precocemente, e, mesmo amarelado, foi mantido em campo por Ancelotti no intervalo daquela partida, apesar do risco de expulsão. Casemiro encerrou sua carreira na Seleção Brasileira aos 34 anos, com três Copas do Mundo no currículo (2018, 2022 e 2026).
O Quinto Erro: A Falta de Identidade e a Complexidade Tática
Após a estreia desastrosa, Ancelotti foi questionado sobre a falta de identidade da Seleção, respondendo que o Brasil teria ‘várias identidades’. Sua visão de que a equipe deveria ‘fazer muitas coisas’ – defender com bloco baixo, atacar, ser agressiva na frente e em sua área – revelou uma abordagem complexa. No entanto, em um esporte tão dinâmico e com tempo limitado para treinar, buscar múltiplas tarefas pode ser contraproducente. Na Copa, o Brasil de Ancelotti tentou fazer várias coisas, mas nenhuma foi realmente bem executada, deixando a impressão de um time sem uma identidade clara e eficaz.
Com contrato com a CBF até 2030, a expectativa é que Ancelotti, com maior tempo para trabalhar e conhecer a fundo o futebol brasileiro, consiga mais acertos. Para orgulhar o povo e honrar a camisa amarela, que acumula 24 anos sem uma conquista de Copa do Mundo, será fundamental que o treinador consiga, de fato, montar um time que resgate o brilho e a tradição do futebol pentacampeão mundial.




