O futebol, com sua dinâmica intensa e capacidade de construir narrativas em tempo real, assemelha-se a um drama teatral ou a um filme com um ‘plot twist’ inesperado. Assim como nas artes, o esporte é dotado de improviso e criatividade, compartilhando a essência de criar catarse coletiva e imortalizar momentos através da emoção. Em segundos, heróis e vilões podem mudar de lado, despertando uma gama de sentimentos em quem acompanha uma Copa do Mundo: raiva, alegria, dor, euforia, tristeza, gratidão, esperança.
Reviravoltas no gol: da glória de Vozinha ao drama de Muslera
Exemplos não faltam neste Mundial. O goleiro Vozinha, de Cabo Verde, aos 40 anos, fez sua estreia em Copas com atuações seguras contra Espanha, Uruguai e Argentina, conquistando milhões de admiradores. Em contraste, seu colega de profissão, Muslera, da mesma idade, encerrou sua quinta Copa execrado por torcedores uruguaios. Apontado como um dos responsáveis pela eliminação do Uruguai após falha contra a Espanha, Muslera viu sua reputação despencar rapidamente.
O caminho de Messi: do ‘pecho frío’ à glória mundial
Mesmo gênios como Lionel Messi já foram contestados. Apesar dos 35 títulos oficiais e do encanto no Barcelona, muitos torcedores argentinos o rotulavam de ‘pecho frío’, expressão para jogadores que supostamente não demonstram garra em momentos decisivos. Messi chegou a desistir da Seleção em 2016, mas voltou e só levantou sua primeira taça com a Albiceleste em 2021, a Copa América. Sua história culminou no tão sonhado título mundial no ano seguinte, e neste Mundial, os hermanos seguem vivos com Messi como um dos artilheiros.
Dunga: De símbolo de fracasso a capitão campeão
Na Seleção Brasileira, o caso de Dunga é emblemático. Na Copa de 1990, o Brasil apresentou um futebol pragmático e defensivo, resultando na eliminação nas oitavas e na criação da pejorativa ‘Era Dunga’. Contudo, quatro anos depois, o volante deu a volta por cima. Tornou-se capitão e peça fundamental do tetracampeonato em 1994, cobrando com personalidade um dos pênaltis na decisão contra a Itália. Ao levantar a taça, desabafou: ‘Essa é pra vocês, traíras’, um grito de redenção.
Casemiro, Danilo e Raphinha: Entre a crítica e a redenção no Brasil
Analistas e comentaristas frequentemente questionam o nível da atual Seleção Brasileira. No entanto, a percepção só se consolida depois que a história está escrita. Hoje, Casemiro é visto por alguns como em fim de carreira, Danilo como um zagueiro improvisado absurdamente na lateral e Raphinha, com atuações apagadas pela amarelinha, distante do desempenho no Barcelona. Este filme já foi visto antes. Neste domingo, pelas oitavas de final da Copa do Mundo, a Seleção Brasileira enfrenta a Noruega, às 17h (de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey.
Se o Brasil vencer, esses jogadores serão heróis que fizeram enormes sacrifícios pelo time. Se perderem, virarão vilões de uma eliminação anunciada, com uma crise à vista. Essa é a imprevisibilidade do futebol. Ninguém sabe qual será o ‘plot twist’ de Brasil e Noruega. Tomara que tenhamos um final feliz.




