A cena é um clássico irritante para qualquer fã de futebol: o goleiro faz uma defesa espetacular, mas em seguida cai no chão pedindo atendimento, interrompendo o ritmo do jogo. A equipe médica entra, o técnico aproveita para dar instruções e, quando a partida é retomada, preciosos minutos já se foram. Essa tática, conhecida como ‘cera’, está com os dias contados no futebol inglês, que aprovou uma nova e ousada regra para combatê-la nesta temporada.
Como a Nova Regra Anti-‘Cera’ Funcionará
A partir deste sábado, com a estreia na Copa da Liga Inglesa, uma medida inédita entrará em vigor. Se um goleiro precisar de atendimento médico em campo, o time adversário será beneficiado: a equipe do goleiro terá que jogar com um jogador a menos por um minuto após a retomada da partida. Essa regra, que visa desencorajar a simulação de lesões para ganhar tempo, foi aprovada pela Federação Inglesa, Premier League, EFL, National League e WSL, com a permissão do International Football Association Board (IFAB).
O treinador terá um prazo de dez segundos para indicar qual jogador de linha deixará o campo temporariamente. Caso a decisão não seja tomada dentro desse período, o capitão da equipe será automaticamente o escolhido para sair. A lógica por trás dessa penalidade já é aplicada a jogadores de linha que recebem atendimento médico em situações não emergenciais.
Exceções e Testes Internacionais da Medida
Para garantir a justiça e não penalizar situações legítimas, a regra prevê algumas exceções importantes. Um jogador de linha não precisará sair se o próprio goleiro afirmar que não precisa de atendimento, em caso de colisão entre dois jogadores, se o goleiro for vítima de uma falta, se estiver sangrando ou se a lesão for grave o suficiente para exigir uma substituição imediata.
Os resultados deste teste pioneiro serão minuciosamente avaliados pelo IFAB ao longo da temporada. Paralelamente, a Liga A da Austrália também confirmou que implementará uma variação da regra, onde o capitão será sempre o jogador a deixar o campo. Se os dados demonstrarem que a medida é eficaz para inibir a ‘cera’ e agilizar as partidas, uma mudança permanente poderá ser implementada globalmente a partir da temporada 2027/28, impactando as principais competições, como a Champions League e a Copa do Mundo.
Tecnologia no Futebol Brasileiro: O Impedimento Semiautomático
Enquanto o futebol inglês busca novas regras para a fluidez do jogo, o Campeonato Brasileiro deu um importante passo tecnológico com a implementação do impedimento semiautomático (SAOT) a partir do returno. A tecnologia, que estreou na 20ª rodada em jogos como Athletico-PR x Internacional e Santos x Chapecoense, já é familiar em ligas como a Premier League, La Liga, Campeonato Mexicano e Belga.
Desenvolvida pela GeniusIQ, com um investimento de R$ 9,6 milhões da CBF, a ferramenta utiliza entre 28 e 32 câmeras de iPhone 17 instaladas em cada um dos 20 estádios da Série A, todos submetidos a testes rigorosos. É importante notar que o modelo adotado no Brasil difere do utilizado na Copa do Mundo, que contava com instrução de voz aos assistentes, decisões automáticas e chip na bola. No Brasileirão, a validação da jogada ainda é feita de forma manual, mas a expectativa é de uma redução média de 33% no tempo entre a jogada e a tomada de decisão, conforme observado em outras ligas que já utilizam o sistema.




