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Júlio Casares gastou R$1 milhão do São Paulo em charutos

Júlio casares gastou r$1 milhão do são paulo em charutos

Júlio Casares, ex-presidente do São Paulo Futebol Clube, é o centro de uma nova controvérsia envolvendo gastos de aproximadamente R$ 1 milhão com o cartão corporativo do clube. A informação, divulgada pelo Ge nesta quinta-feira (23), detalha despesas realizadas durante seus cinco anos de gestão, entre 2021 e 2025, em estabelecimentos como charutarias, lojas e restaurantes de luxo, salões de beleza e despesas médicas.

A reportagem teve acesso aos extratos da conta, que revelam a natureza dos gastos. Casares, que deixou o cargo no início de 2026 após um processo de impeachment e renúncia, devolveu R$ 560.401,74 em novembro do ano passado, período em que denúncias contra a administração do clube já haviam sido reveladas.

É importante destacar que as despesas com o cartão corporativo não fazem parte da investigação atual do Ministério Público e da Polícia Civil. Esta força-tarefa apura a suspeita de que o ex-presidente teria se apropriado de cerca de R$ 11 milhões dos cofres da instituição, sem justificativa para a finalidade dos saques. Casares também enfrenta um processo administrativo interno que pode resultar em sua expulsão do quadro associativo do clube.

Até dezembro do ano passado, o São Paulo não possuía uma regra específica sobre o uso do cartão corporativo, o que adiciona uma camada de complexidade à situação.

A defesa de Júlio Casares

Em nota enviada pelo advogado Bruno Borragine, representante jurídico de Júlio Casares, o ex-presidente alega que os valores restituídos são aqueles “suscetíveis a interpretação do uso do cartão de forma particular”. A defesa enfatiza que o cartão corporativo foi utilizado “única e exclusivamente, no exercício inerente à função” de presidente do clube. Os demais valores, segundo a nota, correspondem a “gastos operacionais, do dia-a-dia, que o setor financeiro tem os registros”.

A defesa de Casares ressalta ainda que, em sua gestão, o clube apresentou um balanço de 2025 com superávit de R$ 57 milhões, redução da dívida em R$ 110 milhões e faturamento recorde de R$ 1,07 bilhão. A nota conclui que Casares se dedicava “exclusivamente” ao São Paulo, com uma agenda exaustiva de reuniões e viagens, justificando o volume de uso do cartão no exercício de suas funções. Ele também propôs uma norma para o uso do cartão corporativo ao Compliance, que foi aprovada pelo Conselho de Administração, e solicitou os demonstrativos de uso do cartão por gestões anteriores.

O posicionamento do São Paulo

O São Paulo Futebol Clube, por sua vez, manifestou-se por meio de nota oficial. O clube informou que o valor devolvido por Júlio Casares foi estabelecido pelo próprio ex-presidente na época. Ao assumir a presidência em janeiro deste ano, Harry Massis determinou a criação de uma política para o uso do cartão corporativo. Desde então, todas as faturas anteriores estão sendo analisadas. A instituição afirmou que, caso seja comprovado que o cartão corporativo foi utilizado para fins pessoais, buscará o ressarcimento integral dos valores.

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