O Palmeiras enfrenta nesta quarta-feira (19) um dos maiores desafios de sua vitoriosa era sob o comando de Abel Ferreira. No Paraguai, diante do Cerro Porteño, no Estádio General Pablo Rojas, popularmente conhecido como “La Nueva Olla”, o Verdão busca não apenas a classificação para as quartas de final da Copa Libertadores, mas também dar fim à sua pior sequência de resultados no ano e evitar a campanha mais precoce e adversa na competição continental com o técnico português. Após um empate em 1 a 1 no jogo de ida, no Allianz Parque, a vitória é o único resultado que garante a vaga sem a necessidade de pênaltis, colocando o clube alviverde sob intensa pressão para ditar os rumos da temporada.
Momento de Instabilidade: A Pior Sequência do Ano
O time de Abel Ferreira chega ao confronto decisivo após quatro partidas consecutivas sem vitória – dois empates e duas derrotas. Essa marca negativa, inédita na temporada, começou com a igualdade contra o próprio Cerro Porteño, no Allianz Parque, onde o gol paraguaio nos acréscimos, em falha do goleiro Carlos Miguel, frustrou os planos alviverdes. A série de resultados incluiu ainda uma derrota para o Fortaleza por 3 a 2, pela Copa do Brasil, em Cuiabá, um empate sem gols com o Internacional pelo Brasileirão, e o revés recente para o Fluminense por 3 a 2, no Maracanã. A má fase teve como consequência a “queima da gordura” no Campeonato Brasileiro, onde, apesar de ainda liderar com 48 pontos, o Palmeiras vê o Flamengo, com um jogo a menos e melhor saldo de gols, com a primeira colocação por pontos perdidos.
O Risco da Pior Libertadores de Abel e a Inédita Decisão Fora de Casa
A era Abel Ferreira é sinônimo de conquistas no Palmeiras, com 11 troféus e campanhas históricas na Libertadores, incluindo dois títulos, um vice-campeonato e duas semifinais. A única vez que o Verdão não terminou entre os quatro primeiros foi em 2024, quando caiu nas oitavas de final para o campeão Botafogo, após perder por 2 a 1 fora e empatar por 2 a 2 em casa. No entanto, a campanha atual pode ser ainda pior. Em 2024, o Palmeiras avançou como líder do grupo, decidindo o mata-mata em casa. Nesta edição, a equipe terminou em segundo lugar na chave liderada justamente pelo Cerro Porteño, com 11 pontos (três vitórias, dois empates e uma derrota), o pior desempenho na fase de grupos sob o comando de Abel. Uma eliminação agora representaria a segunda queda antes das quartas, superando em termos de desempenho a de 2024.
Além da ameaça da pior campanha, o Palmeiras enfrenta outro cenário inédito: uma eliminação para um clube estrangeiro fora do Brasil na era Abel Ferreira. Em seis edições de Libertadores sob o comando do português, a única vez que o time foi eliminado por um estrangeiro ocorreu nas semifinais de 2024, contra o Boca Juniors, nos pênaltis, no Allianz Parque. É importante ressaltar que a derrota para o Flamengo na final de 2025, em Lima, no Peru, não entra nesse levantamento por ter sido em campo neutro e contra um adversário brasileiro. Decidir uma vaga no exterior contra um adversário de outro país é, portanto, uma experiência nova para o treinador português. Em 16 jogos eliminatórios de ida e volta na Libertadores com Abel, o Palmeiras só precisou decidir fora de casa uma única vez, no empate por 1 a 1 com o Atlético-MG na semifinal de 2021, quando o critério do gol fora ainda era válido e levou o Verdão à decisão. Em todos os outros 15 confrontos eliminatórios desse tipo, o segundo jogo foi no Allianz Parque. Contra clubes estrangeiros, até hoje, foram dez encontros em mata-matas, sempre com a partida de volta em casa. Exemplos marcantes incluem a goleada por 5 a 0 sobre o uruguaio Delfin, nas oitavas de 2020, e a virada histórica por 4 a 0 sobre a LDU, na semifinal de 2025, ambos no Parque. O confronto no Paraguai, portanto, representa um teste sem precedentes para a equipe de Abel, que terá de provar sua força longe de seus domínios.
Cerro Porteño: De Adversário Conhecido a Pedra no Sapato
O Cerro Porteño, um dos adversários estrangeiros mais recorrentes para Abel Ferreira, tornou-se uma “pedra no sapato” nesta temporada. Em três confrontos em 2024, foram dois empates e uma vitória paraguaia. Em 20 de maio, “El Ciclón” venceu por 1 a 0 no Allianz Parque, quebrando uma invencibilidade de 27 jogos do Palmeiras como mandante na Libertadores e tirando a liderança do grupo do Alviverde. Este retrospecto recente contrasta com as temporadas anteriores, onde Abel sempre superou o Cerro. Em 2022, nas oitavas de final, o Palmeiras atropelou o time paraguaio com um placar agregado de 8 a 0 (3 a 0 no Paraguai e 5 a 0 em São Paulo). A falta de eficácia ofensiva tem sido um ponto de preocupação, como lamentou Abel após o empate na ida: “Quem tem seis ou sete oportunidades e só faz um gol na Libertadores, tem que se queixar da falta de eficácia”.
Libertadores como Prioridade Máxima e a Blindagem de Abel
A partida desta noite não define apenas a continuidade do Palmeiras na Libertadores, mas também os rumos da temporada, especialmente em meio ao jejum de vitórias e a questionamentos pontuais da torcida. A Copa Libertadores é a prioridade máxima do clube, uma obsessão declarada pela presidente Leila Pereira, que busca seu primeiro título continental desde que assumiu a gestão em dezembro de 2021. Em seu currículo, a dirigente já soma oito taças, incluindo dois Brasileirões e quatro Paulistas. “Até dezembro de 2027 eu ficaria muito feliz se conseguirmos conquistar (a Libertadores)”, afirmou Leila em maio, evidenciando a importância do torneio. Para Abel Ferreira, a competição representa a chance de somar mais uma taça à sua vasta coleção e, talvez, “engolir” a derrota na final de 2025 para o Flamengo, quando o técnico ainda reclama do fato de o volante Erick Pulgar não ter sido expulso pelo árbitro uruguaio Dario Herrera por uma entrada em Bruno Fucks no início do jogo. Esse sentimento de inconformismo, somado ao desejo de chegar ao topo continental cinco anos após a conquista do bicampeonato, intensifica a busca pelo título. Apesar do momento delicado e da possibilidade de frustração na Libertadores, Leila Pereira reiterou seu apoio incondicional ao trabalho do técnico português, publicando em suas redes sociais às vésperas do duelo: “Com minha total confiança, vamos em frente em busca de nossos objetivos. Temos muito a celebrar. O importante é que a Presidente do Palmeiras acredita no trabalho da comissão técnica, do diretor de futebol e em nossos jogadores. Vamos em frente. Avanti Palestra!”. O jogo no Paraguai é, portanto, um divisor de águas que pode reafirmar a força da era Abel ou aprofundar a crise de resultados, com impacto direto na moral da equipe e no planejamento para o restante do ano.




