O Palmeiras inicia sua jornada no mata-mata da Copa Libertadores da América na noite desta quarta-feira (12) em uma situação jamais experimentada sob o comando do técnico Abel Ferreira. O confronto de ida das oitavas de final contra o Cerro Porteño, às 19h, no Nubank Parque, marca a primeira vez que a equipe irá abrir esta fase em casa com o português. Além disso, o jogo de volta, agendado para 19 de agosto em Assunção, será a primeira ocasião em que o treinador precisará buscar uma classificação em território estrangeiro, um teste inédito para o comandante alviverde.
O Ineditismo da Era Abel
Este contexto inédito para Abel Ferreira é resultado da pior campanha do Palmeiras na fase de grupos sob sua gestão. Em 2026, o Verdão não conseguiu terminar na liderança da chave pela primeira vez em seis edições, sendo superado justamente pelo Cerro Porteño, que somou dois pontos a mais e ficou em primeiro lugar. Essa condição especial tira do Palmeiras a vantagem de decidir os confrontos eliminatórios em casa até as semifinais, um privilégio que o clube desfrutou em seis das últimas oito edições da Libertadores.
Em 16 jogos eliminatórios de ida e volta na Libertadores (oitavas, quartas e semifinais) com Abel Ferreira, o Palmeiras precisou decidir fora de casa apenas uma vez. Isso ocorreu no empate por 1 a 1 com o Atlético Mineiro na semifinal de 2021, mas ainda em território brasileiro. A igualdade no Mineirão levou o Verdão à decisão daquele ano por conta do critério de gol fora. Em todos os outros 15 confrontos sob o comando do português, o segundo jogo foi disputado em casa. Contra clubes estrangeiros, Abel nunca passou pelo teste de decidir no exterior, sempre realizando a partida de volta no Allianz Parque (ou Nubank Parque).
A Perda da Vantagem e o Algoz Cerro Porteño
O Cerro Porteño não é apenas o adversário da vez, mas também o algoz que tirou a liderança do grupo do Palmeiras. Em 21 de maio, o clube paraguaio venceu por 1 a 0 em São Paulo, encerrando uma série invicta de cinco jogos do Palmeiras como mandante na Libertadores. O gol do ex-vascaíno Vegetti foi crucial para o desfecho do Grupo F, que teve um empate por 1 a 1 no Paraguai. “Estávamos mal acostumados com a melhor campanha. Era o nosso objetivo, mas dessa vez não conseguimos. Por aquilo que aconteceu contra o Cerro, não conseguimos”, declarou Abel Ferreira após o empate com o Junior Barranquilla na última rodada da fase de grupos.
O fato de o Cerro ter sido o responsável pela perda da melhor campanha adiciona um sabor de vingança ao confronto. O histórico geral do Palmeiras contra o El Ciclón na Libertadores é amplamente favorável, com dez vitórias, cinco empates e apenas três triunfos paraguaios em 18 duelos. Em 2022, nas oitavas de final, o Verdão aplicou um agregado de 8 a 0 (3 a 0 no Paraguai e 5 a 0 em São Paulo), uma performance bem diferente da atual fase de grupos.
O Histórico Imponente de Abel em Mata-Matas
Apesar do ineditismo de decidir fora, o Palmeiras de Abel Ferreira construiu uma era de sucesso notável na Libertadores. A equipe chegou a três finais, conquistando dois títulos no período. Das três eliminações em fases anteriores, duas foram nas semifinais: para o Athletico-PR em 2022 e para o Boca Juniors, nos pênaltis, em 2023. O primeiro embate eliminatório com Abel foi a goleada por 5 a 0 sobre o Delfín, do Uruguai, nas oitavas de 2020, marcando sua estreia no torneio. Já o mais recente teve um sabor especial: os 4 a 0 sobre a LDU na semifinal de 2025, uma virada histórica após a derrota por 3 a 0 na ida, no Equador.
O histórico do Palmeiras na era Abel traz boas razões para o torcedor confiar em um resultado expressivo em casa que dê boa vantagem para a volta no Paraguai. Dos 16 jogos em mata-matas da Libertadores como mandante, o time perdeu apenas uma partida – um 2 a 0 para o River Plate na semifinal de 2020, que não impediu o avanço devido à vitória por 3 a 0 na Argentina – e venceu seis vezes por dois ou mais gols. Assim, obter uma diferença desse porte será essencial para encarar o ineditismo de decidir a vaga no exterior com mais conforto.
Vingança e Ambição: O Sonho do Tetracampeonato
Diante do Cerro Porteño, o Palmeiras entra na reta decisiva de um torneio tratado como prioritário. Mesmo liderando o Brasileirão e estando nas quartas da Copa do Brasil, a maior ambição do clube nesta temporada é a conquista do tetracampeonato da Libertadores. A presidente Leila Pereira já expressou seu desejo de levantar o troféu continental pela primeira vez em sua gestão. “Seria um grande título e que não tenho na minha gestão. Até dezembro de 2027 eu ficaria muito feliz se conseguirmos conquistar”, confessou Leila em maio.
Abel Ferreira, o treinador com mais títulos na história do Palmeiras, busca seu terceiro título da Libertadores, uma marca alcançada por poucos, como os argentinos Carlos Bianchi (4) e Osvaldo Zubeldía (3). “Eu tenho um sonho de voltar a ganhar a Libertadores. Esse é meu sonho nesse momento. Ano passado bateu na trave e sabemos porque. Esse ano vamos mais uma vez tentar. Não posso prometer títulos. Gosto de sentir esse prazer, esse sabor, é isso que nos move, em busca dos títulos”, declarou Abel em julho. O técnico já alertou para a complexidade do confronto atual: “Já jogamos contra eles, sabemos como vai ser, fechadinhos, marcação individual, a procura de uma transição, de uma bola parada e temos que abrir (o placar) primeiro”, avisou o comandante. Caso avance, o Palmeiras enfrentará o vencedor de Mirassol e LDU. A decisão da Libertadores está marcada para 28 de novembro, no estádio Centenário, em Montevidéu, palco da vitória palmeirense em 2021.




