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São Paulo FC Paga R$ 6,8 Milhões Anuais à Milclean, Empresa de Aliado de Reinaldo Carneiro Bastos, e Enfrenta Críticas Internas e Inquérito Policial

São paulo fc paga r$ 6,8 milhões anuais à milclean, empresa de aliado de reinaldo carneiro bastos, e enfrenta críticas internas e inquérito policial

O São Paulo Futebol Clube mantém um contrato anual de R$ 6,8 milhões com a Milclean, uma empresa de limpeza que pertence a Otávio Alves Corrêa Filho, aliado e ex-sócio de longa data de Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF). O acordo, firmado em dezembro de 2024 e com início retroativo a junho do mesmo ano, tem gerado forte questionamento nos bastidores do clube e é objeto de uma denúncia à Polícia Civil de São Paulo, que avalia abrir uma investigação.

Assinado pelo presidente Júlio Casares, que atualmente enfrenta um processo de impeachment e um inquérito policial sobre saques milionários em espécie, o contrato com a Milclean tem sido alvo de controvérsia, especialmente após documentos internos do São Paulo, obtidos pelo Estadão, indicarem que o número de funcionários atuando no último mês foi inferior ao acordado.

Laços Antigos e Negócios Compartilhados

A Milclean, com sede em Taubaté, foi fundada em 1998 por Reinaldo Carneiro Bastos e Otávio Alves Corrêa Filho, amigos há mais de 40 anos. Ambos dividiram a gestão do Taubaté e da Federação Paulista de Futebol, onde Bastos foi vice-presidente e Correa Filho vice-presidente administrativo no fim dos anos 2000. Bastos deixou a sociedade da Milclean em 2021, vendendo sua participação por R$ 3,9 milhões, mas a proximidade entre os dois persiste. Ambos são conselheiros vitalícios do Taubaté, clube que tem a Milclean como patrocinador master.

A sociedade entre Bastos e Corrêa Filho se estendeu a outros empreendimentos, como a extinta empresa de transporte aéreo Aerolimp e a propriedade conjunta de imóveis. Corrêa Filho chegou a ter participação de 50% em imóveis ao lado de uma empresa em nome da esposa e filhos de Reinaldo, a Lac Participações. Disputas judiciais passadas sobre repasses de aluguéis ilustram essa complexa rede de relações comerciais e familiares.

Irregularidades e Questionamentos no Morumbi

O contrato do São Paulo com a Milclean prevê um quadro diário de, no mínimo, 96 funcionários de segunda a sábado e 95 aos domingos e feriados para a limpeza do clube social. No entanto, registros de presença de dezembro de 2025, analisados pela reportagem, mostram que essa determinação não foi respeitada. O maior contingente registrado no mês foi de 55 colaboradores, e o menor, de 39, em nenhum dia se aproximando do número contratado.

Conselheiros do clube questionam o termo, que, além das supostas irregularidades na prestação de serviço, evoca polêmicas passadas da Milclean. Em 2009, a empresa teve placas publicitárias em estádios da Copa São Paulo de Futebol Júnior, competição organizada pela FPF quando Bastos e Corrêa Filho eram vices. Mais recentemente, em 2024, um vereador de São Sebastião acusou a Milclean de superfaturamento e má qualidade em um contrato de R$ 3 milhões mensais com a prefeitura da cidade.

As Defesas: FPF e São Paulo Negam Irregularidades

Em resposta às acusações, a Federação Paulista de Futebol esclarece que Reinaldo Carneiro Bastos vendeu sua participação na Milclean em 2021 e desde então não possui vínculos ou remuneração da empresa. A FPF afirma ser “completamente desonesta” a tentativa de ligá-lo a um contrato que ele “sequer sabia da existência”, celebrado três anos após sua saída da sociedade. Bastos nega ainda que sua família tenha qualquer vínculo societário com o proprietário da Milclean, que é apenas um “amigo antigo”.

O São Paulo FC, por sua vez, defende que o contrato com a Milclean foi celebrado após um processo de concorrência com sete empresas, sendo a Milclean escolhida por apresentar o menor custo. O clube alega que não há registro atual de vínculo com o presidente da FPF e que o controle interno da prestação de serviços é rigoroso, com registro diário de presença dos colaboradores para assegurar a conformidade contratual. O São Paulo afirma que ao término do contrato, previsto para junho de 2027, um novo processo de concorrência será realizado.

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