Clubes do interior de Minas Gerais manifestaram insatisfação e reagiram ao anúncio de patrocínios do Governo do Estado, que destinou R$ 32 milhões para Atlético-MG, Cruzeiro e América-MG. Em resposta, as equipes divulgaram o “Manifesto do Futebol Mineiro”, exigindo que os recursos públicos também contemplem clubes de outras divisões, as categorias de base e o futebol feminino.
A medida do governo mineiro, anunciada na terça-feira (29), prevê o aporte financeiro por meio de empresas estatais para os três principais clubes de Belo Horizonte. A iniciativa surgiu após Galo, Raposa e Coelho perderem contratos com casas de apostas em decorrência de uma Medida Provisória federal que alterou as regras para o setor no país.
Manifesto do Futebol Mineiro
No documento, os clubes do interior solicitam uma audiência com o Governo de Minas e as empresas estatais envolvidas, com a intermediação da Federação Mineira de Futebol (FMF). As equipes defendem a criação de critérios objetivos e públicos para a distribuição das verbas, além da inclusão de times dos Módulos I e II, da Segunda Divisão e do futebol feminino. Entre os clubes que aderiram ao manifesto estão Athletic, Villa Nova, Guarani-MG, Aymorés, Betim, Mamoré, Boa Esporte, Ipatinga e Itabirito, além de outras agremiações do estado.
O Pacote do Governo de Minas
O pacote anunciado pelo governo detalha que Atlético e Cruzeiro receberão R$ 15 milhões cada, enquanto o América ficará com R$ 2 milhões. As marcas da Cemig e da Codemge estamparão as camisas dos clubes em espaços a serem definidos. O governo também informou que negocia acordos com o Athletic, de São João del-Rei, e o Uberlândia, campeão da Série D.
Além da exposição das marcas, os contratos preveem contrapartidas sociais, como investimentos no futebol feminino e a distribuição de ingressos gratuitos para estudantes de baixa renda em partidas específicas. O governo ressaltou que as condições serão negociadas individualmente com cada clube, levando em conta os contratos de patrocínio já existentes.
A Posição dos Clubes do Interior
Os clubes do interior, no entanto, buscam ampliar o alcance desses recursos. O manifesto defende a criação de cotas por divisão e a destinação de verbas para a formação de atletas e o desenvolvimento do futebol feminino em todas as regiões. As equipes argumentam que o futebol possui um impacto econômico e social significativo também fora da capital mineira, e que a concentração dos recursos nos grandes da capital desconsidera essa realidade.
A Origem da Controvérsia
A discussão teve início após a Medida Provisória do Governo Federal que interrompeu as operações das casas de apostas no país, impactando diretamente os contratos de patrocínio de diversos clubes de futebol. Em Minas Gerais, o aporte de R$ 32 milhões pelo governo estadual foi uma resposta às perdas financeiras dos três principais clubes da capital, gerando a reação e a cobrança por uma distribuição mais equitativa dos recursos públicos por parte das demais equipes.





