A Mancha Alviverde, principal torcida organizada do Palmeiras, foi condenada a pagar R$ 2 milhões em indenização aos familiares de um torcedor do Cruzeiro que morreu durante uma emboscada em 2024, na Rodovia Fernão Dias, em Mairiporã (SP). A decisão foi divulgada nesta terça-feira (3) pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), após a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em que a organizada assumiu a responsabilidade civil pelo ataque.
O Acordo e a Indenização
Homologado pelo Conselho Superior do MPSP, com base em relatório do procurador Nelson Gonzaga, o acordo estabelece que a Mancha Alviverde destinará o montante mínimo de R$ 2 milhões para a reparação de danos materiais e morais. A prioridade no recebimento será dada aos familiares de José Victor Miranda, o motoboy de 30 anos, morador de Sete Lagoas (MG), que foi a vítima fatal do incidente. No TAC, a torcida organizada reconheceu sua responsabilidade civil pelos danos causados pelo episódio.
Condições para o Retorno aos Estádios
Como condição essencial para a manutenção de suas atividades e o retorno aos estádios, a Mancha Alviverde deverá cumprir uma série de obrigações de transparência inéditas. Entre elas, estão o envio periódico de uma listagem atualizada de todos os seus associados às autoridades competentes e a obrigatoriedade de informar aos órgãos de segurança sobre todos os deslocamentos e comboios organizados pela torcida.
Relembre a Tragédia na Fernão Dias
O trágico episódio ocorreu em 27 de outubro de 2024, quando torcedores do Cruzeiro retornavam a Belo Horizonte (MG) após uma partida contra o Athletico Paranaense, em Curitiba (PR). Na altura do Km 65 da Rodovia Fernão Dias, em Mairiporã, na Grande São Paulo, integrantes da Mancha Alviverde armaram uma emboscada. Os agressores utilizaram pedaços de pau, pedras, barras de ferro e rojões no ataque. A investigação apontou que a motivação seria uma vingança contra a torcida Máfia Azul, do Cruzeiro, por uma briga ocorrida em 2022, em Minas Gerais. Além da morte de José Victor Miranda, a ação resultou em dezenas de torcedores feridos, um ônibus incendiado e outro severamente depredado.
Desdobramentos Criminais
Paralelamente ao acordo civil, o Ministério Público destacou que 43 torcedores foram denunciados em dois processos que abrangem a antiga cúpula da Mancha Alviverde e outros identificados na emboscada. Todos são acusados de crimes como homicídio consumado, tentativas de homicídio qualificado e outros delitos. Os primeiros denunciados, já pronunciados, aguardam recursos para então serem submetidos ao Tribunal do Júri.





